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Zopilote

Rogério Skylab

Urubú

Urubu, meu companheiro,
Te achei numa charneca
Com as asas machucadas, te levei pra minha casa.
Te guardei numa gaiola
Para enfeitar a sala,
Sobre ti a noite é negra, urubu, canta pra gente.
Não inveje os outros cantos,
Outras plumas e outras cores,
Que de todos és o primeiro,
Urubu tu és tão negro.
Se não há quem te escute,
Eu te escuto e te traduzo,
O teu canto tem mais vida,
Urubu, canta um pouquinho.
Se eu te dou banana e alpiste,
tu vomitas, endoidece,
mas se for carne estragada,
Bate as asas e agradece.
Quem diz que urubu não canta,
Quem faz pouco do que eu digo,
para quem não crê em nada,
urubu, mais um pouquinho.
Eu vou te deixar agora,
Com meu coração partido,
Voa pelo mundo à fora,
Cumpra teu honroso ofício.
Acharás pelo caminho
Bois, cachorros, criancinhas,
O sertão é aqui, agora,
Urubu, mais um pouquinho.

Zopilote

Zopilote, mi compañero,
Te encontré en un páramo
Con las alas lastimadas, te llevé a mi casa.
Te guardé en una jaula
Para adornar la sala,
Sobre ti la noche es oscura, zopilote, canta para nosotros.
No envidies otros cantos,
Otras plumas y otros colores,
Que de todos eres el primero,
Zopilote, eres tan negro.
Si no hay quien te escuche,
Yo te escucho y te traduzco,
Tu canto tiene más vida,
Zopilote, canta un poquito.
Si te doy plátano y alpiste,
tú vomitas, enloqueces,
pero si es carne podrida,
Bates las alas y agradeces.
Quien dice que el zopilote no canta,
Quien menosprecia lo que digo,
para quien no cree en nada,
zopilote, un poco más.
Te dejaré ahora,
Con mi corazón partido,
Vuela por el mundo afuera,
Cumple tu honorable oficio.
Encontrarás por el camino
Bueyes, perros, niñitos,
El páramo es aquí, ahora,
Zopilote, un poco más.

Escrita por: Rogério Skylab