Filha de João
Filha de João
Bem-vinda seja a filha de João
que só deseja ter a sua cria,
encerra as contas, bate o portão,
caminha tonta de tanta alegria.
Essa menina, já prometida,
de mãos feridas de tanto lavar,
espera Pedro, mas decidida,
pois sua vida foi sempre esperar.
Lá vem o Pedro, que não é pedra
e ninguém fala em edificar,
vem do batente, contra corrente
e já descrente de melhorar.
Deixa seu barco, o seu barraco,
as águas verdes, vagas do mar,
pra ver a noiva, pra ser menino
no seu destino de navegar.
E agora juntos pela cidade
caras metades só para amar.
Deixam-se livres, deixam saudades
pra algum Antônio, de algum lugar.
Hija de João
Hija de João
Bienvenida sea la hija de João
que solo desea tener su descendencia,
cierra las cuentas, golpea la puerta,
camina mareada de tanta alegría.
Esta niña, ya comprometida,
con manos heridas de tanto lavar,
espera a Pedro, pero decidida,
pues su vida siempre fue esperar.
Ahí viene Pedro, que no es piedra
y nadie habla de edificar,
viene del trabajo, contra corriente
y ya descreído de mejorar.
Deja su barco, su choza,
las aguas verdes, olas del mar,
para ver a la novia, para ser niño
en su destino de navegar.
Y ahora juntos por la ciudad
caras mitades solo para amar.
Se dejan libres, dejan añoranzas
para algún Antonio, de algún lugar.
Escrita por: Ronaldo Garcia