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Gitã

R.R. Soares

Gitã

- Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou:

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada,
Nem fico sorrindo ao teu lado.

Você pensa em mim toda hora.
Me come, me cospe, me deixa.
Talvez você não entenda,
Mas hoje eu vou lhe mostrar.

Eu sou a luz das estrelas;
Eu sou a cor do luar;
Eu sou as coisas da vida;
Eu sou o medo de amar.

Eu sou o medo do fraco;
A força da imaginação;
O blefe do jogador;
Eu sou!... Eu fui!... Eu vou!...

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.

Eu sou a vela que acende;
Eu sou a luz que se apaga;
Eu sou a beira do abismo;
Eu sou o tudo e o nada.

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água e do ar!

Você me tem todo dia,
Mas não sabe se é bom ou ruim.
Mas saiba que eu estou em você,
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado;
A pesca do pescador;
A letra "A" tem meu nome;
Dos sonhos eu sou o amor.

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo;
Eu sou a mão do carrasco;
Sou raso, largo, profundo.

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão;
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.

Eu!
Mas eu sou o amargo da língua,
A mãe, o pai e o avô;
O filho que ainda não veio;
O início, o fim e o meio.
O início, o fim e o meio.
Eu sou o início,
O fim e o meio.
Eu sou o início
O fim e o meio

Gitã

- Yo que he recorrido los cuatro rincones del mundo buscando, fue precisamente en un sueño que Él me habló:

A veces me preguntas
Por qué soy tan callado,
No hablo casi nada de amor,
Ni me quedo sonriendo a tu lado.

Piensas en mí todo el tiempo.
Me consumes, me escupes, me abandonas.
Quizás no entiendas,
Pero hoy te mostraré.

Soy la luz de las estrellas;
Soy el color de la luna;
Soy las cosas de la vida;
Soy el miedo a amar.

Soy el miedo al débil;
La fuerza de la imaginación;
El farol del jugador;
¡Soy!... ¡Fui!... ¡Voy!...

Gitã! Gitã! Gitã!
Gitã! Gitã!

Soy tu sacrificio;
La señal de sentido contrario;
La sangre en la mirada del vampiro
Y los juramentos de maldición.

Soy la vela que se enciende;
Soy la luz que se apaga;
Soy al borde del abismo;
Soy el todo y la nada.

¿Por qué me preguntas?
Las preguntas no te mostrarán
Que estoy hecho de tierra,
De fuego, de agua y de aire.

Me tienes todos los días,
Pero no sabes si es bueno o malo.
Pero debes saber que estoy en ti,
Pero tú no estás en mí.

Soy el tejado de las tejas;
La pesca del pescador;
La letra "A" lleva mi nombre;
De los sueños soy el amor.

Soy la dueña de casa
En los juegos de pago del mundo;
Soy la mano del verdugo;
Soy superficial, amplio, profundo.

Gitã! Gitã! Gitã!
Gitã! Gitã!

Soy la mosca en la sopa
Y el diente del tiburón;
Soy los ojos del ciego
Y la ceguera de la visión.

¡Yo!
Pero soy el amargor de la lengua,
La madre, el padre y el abuelo;
El hijo que aún no ha llegado;
El principio, el fin y el medio.
El principio, el fin y el medio.
Soy el principio,
El fin y el medio.
Soy el principio
El fin y el medio

Escrita por: Raul Seixas