No Jequi tem Onha
Conta, conta cantador
Conta a história que eu pedi
Dizem que o jequi tem onha
Conta as onhas do jequi
Este vale fedeu biba
No tempo dos coronéis
Era uma vez "Vai Torano"
"Fortaleza" e "Quartéis"
Os dedos caíram todos
Mas ainda vivem os anéis
Sua vó é feiticeira
Passa n'água sem molhar
Quero ver a sua vó
Uma água benta passar
Pra curar as chagas mil
Corroendo esse lugar
Justiça no Vale é tanta
Como a carne nos pastéis
Com milhões, gato pingado
E um milhão só tem milréis
E o povo espera sentado
Pela inversão dos papéis
Aqui tem, dizem todos
Um dente de coelho
Tem cabeça de porco enterrada aqui
No jequi tem um peixe
É o tal peixe-Boi
Chifrando, estraçalhando
A taquara do jequi...
Tinhonha
O jequi tem, o jequi tem
O jequi tem onha
No meio das onhas do jequi
Tem muita vergonha
Im Jequi gibt's Onha
Erzähl, erzähl, Sänger
Erzähl die Geschichte, die ich bat
Man sagt, im Jequi gibt's Onha
Erzähl von den Onhas im Jequi
Dieses Tal stinkt, Biba
Zur Zeit der Koronel
Es war einmal "Vai Torano"
"Fortaleza" und "Quartiere"
Die Finger sind alle gefallen
Doch die Ringe leben noch
Deine Oma ist eine Hexe
Geht durchs Wasser, ohne nass zu werden
Ich will deine Oma sehen
Wie sie mit heiligem Wasser geht
Um die tausend Wunden zu heilen
Die diesen Ort zerfressen
Gerechtigkeit im Tal ist so viel
Wie Fleisch in den Pasteten
Mit Millionen, ein paar Katzen
Und eine Million hat nur tausend Reis
Und das Volk sitzt wartend
Auf die Umkehr der Rollen
Hier gibt's, sagen alle
Einen Hasenzahn
Hier ist ein Schweinekopf vergraben
Im Jequi gibt's einen Fisch
Es ist der berühmte Fisch-Boi
Mit Hörnern, zerreißt
Die Taquara des Jequi...
Tinhonha
Im Jequi gibt's, im Jequi gibt's
Im Jequi gibt's Onha
Mitten in den Onhas des Jequi
Gibt's viel Scham