395px

Jogo da Agonia (Contos de R&R)

Runes & Rhymes

Muito prazer, pode me chamar de mestre
Não se preocupe, eu já vou te explicar
É importante esse nome, então não esquece
Agora as regras do jogo eu vou ditar
Preste bem atenção, você vai precisar
Seria uma tragédia se uma regra quebrar

Então vamos lá, regra número um
Fique bem sentado, é melhor não levantar
Regra número dois, pegue seus dados
Sem eles, com certeza não vai dar pra jogar
Regra número três, só tem uma saída
Vencer o jogo ou perder todos pontos de vida
Você tem dez, não vá se esquecer
Não recomendo seus pontos perder
Então

Jogue um d20, jogue um d20
Pegue sua espada e faça o seguinte
Jogue um d20, jogue um d20
Sua habilidade é o que te define
Força, defesa, vida e magia
É bom a destreza estar em dia
Carisma engana, mas não confia
Bem-vindo ao jogo da agonia

Iniciativa, jogue pra ver se você age ou se vai morrer
O mestre sorri, sem se mover
Seu turno agora pode escolher
A vela acesa pingando no mapa
Sombras dançando na borda da capa
O dado girando, boneco na chapa
A cada segundo a sanidade escapa

Você entra em uma cripta vazia
É realidade ou fantasia?
O cheiro é ferro, sangue e alquimia
E algo te observa, mas não devia
Passos no escuro, teste de percepção
Falha crítica, sente um arranhão
Na pele real surge a marca então
Primeiro de dano, isso não é ilusão

Respira fundo, tenta entender
Se meu personagem sofrer
A mão começa a tremer
Eu também posso morrer
O mestre inclina, começa a rir
Agora o jogo começou pra ti
Cada rolagem é um risco iminente
Seja acaso ou inevitavelmente
Se sofrer um golpe você sente
O dano atravessa o consciente

Jogue um d20, jogue um d20
A sorte é uma lâmina na sua frente
Jogue um d20, jogue um d20
Um número errado, fim da corrente
Se a vida zera, não tem reinício
Sem checkpoint, sem artifício
Só um silêncio no precipício
O mestre anotando o seu sacrifício

Uma criatura surge à esquerda
Olhos vazios, carne em cortes
Classe indefinida, forma enferma
Pele apodrecendo com cheiro de morte
Teste de ataque, rola o dado
Treze, não foi o esperado
A criatura avança do seu lado
E no seu braço surge o rasgado
Menos sete, você sente na hora
A dor não é só da história
O sangue escorre, nada evapora
Isso aqui, não é só fantasia

Quer fugir? Então teste destreza
O dado cai e gira na mesa
Dezessete, escapa por um triz, beleza
Mas o mestre sussurra
Ainda presa

No fim da cripta, um trono de ossos
Runas gravadas, símbolos roxos
Um nome é dito em tons tão grossos
Zhal Gorath, o senhor dos poços
Uma entidade que consome rolagens
Se alimenta de falhas, distorce as vantagens
Seu erro se torna uma das engrenagens
Que prendem sua alma em suas paisagens

Último combate, diz o condutor
Ele não erra, ele é o terror
Vida restante, apenas dois
E o dado pesa mais que sua dor
Ele para, pensa diferente
Se tudo é regra, então tem precedente
Se o mestre guia e eu sou o agente
Talvez eu possa quebrar o presente

Eu não ataco, ele decide
O mestre estranha, mas não impede
Eu uso inteligência, observe
Quero analisar o sistema, o que o mantém de pé
Teste impossível, dificuldade vinte
O dado gira lento, trazendo um momento tenso
Natural vinte
Ele entende a essência do mal
Não é a criatura, é o ritual
O mestre, o jogo, o plano fatal
Tudo parte de um ciclo estrutural

Eu não ataco o boss final, eu ataco o mestre
Fenomenal
As velas apagam, o dado para
Zhal Gorath grita e se desmancha
O mestre encara, sem emoção
Você venceu, pela interpretação

A sala some, o chão desaparece
Mas antes de tudo ele percebe
Sua ficha ainda permanece
Um boneco de sua irmã aparece
O mestre cochicha um conselho
Dizendo a verdade nua e crua
E no topo escrito em vermelho
A campanha continua
Então

Jogue um d20, jogue um d20
Pegue sua espada e faça o seguinte
Jogue um d20, jogue um d20
Sua habilidade é o que te define
Força, defesa, vida e magia
É bom a destreza estar em dia
Carisma engana, mas não confia
Bem-vindo ao jogo da agonia