Selva cinza, retilínea, indiferente
Isomorfia permanente, arquitetura linear
Tudo igual, pois segue, inexoravelmente
Regra louca, deprimente, que é viver nesse lugar
Que defende algo contraproducente
Falsa ideia sustentável, verde, aqui, verde, acolá
Mas não conta, nessa conta intransigente
Que, do outro lado, sempre haverá com quem lutar
Sinto peso quando penso nessa gente
Que não cede nem recua, mas avanca até chegar
É ribeirinha, é arraigada, é diligente
Tem, como inegociável, o que quer ver preservar
Como pode, então e repetidamente
Que o avesso do progresso seja o preço a se pagar
Pela flora e fauna, comercialmente
Natureza e consciência, a venda a quem pode comprar
Se uma tribo isolada compreende
Sem ter tido, previamente, uma métrica a aplicar
Antropoceno, mais que aceno, é permanente
Que o urbano, com a ciência, nunca vai conciliar
Ah, eu quero ver um povo que ascende
Amazônia preservada e essa gente a prosperar
Que deseja, como fogo, ardentemente
Que seus filhos, no futuro, possam ter onde pisar
Ah, eu quero ver um povo renitente
Impregnado na mente com a causa do seu lar
Onde a única fogueira que acende
Anarriê, alavantú seja a vontade de dançar