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Polvo

Sérgio Reis

Poeira

O carro de boi lá vai gemendo lá no estradão
Suas grandes rodas fazendo profundas marcas no chão
Vai levantando poeira, poeira vermelha, poeira
Poeira do sertão

Olha seu moço a boiada, em busca do ribeirão
Vai mugindo e vai ruminando, cabeças em confusão
Vai levantando poeira, poeira vermelha, poeira
Poeira do meu sertão

Olha só o boiadeiro montado em seu alazão
Conduzindo toda a boiada com seu berrante na mão
Seu rosto é só poeira, poeira vermelha, poeira
Poeira do meu sertão

Barulho de trovoada coriscos em profusão
A chuva caindo em cascata na terra fofa do chão
Virando em lama poeira, poeira vermelha, poeira
Poeira do meu sertão

Poeira entra em meus olhos
Não fico zangado não
Pois sei que quando eu morrer
Meu corpo irá para o chão
Se transformar em poeira, poeira vermelha, poeira
Poeira do meu sertão, poeira do meu sertão (poeira)
Poeira do meu sertão (poeira)

Polvo

La carreta de bueyes gime en el camino
Sus grandes ruedas dejan profundas marcas en el suelo
Levanta polvo, polvo rojo, polvo
Polvo de travesía

Mira, joven, el rebaño, en busca del arroyo
Muge y reflexiona, con la cabeza confundida
Levanta polvo, polvo rojo, polvo
Polvo de mis tierras de atrás

Mira al ganadero montado en su alazán
Conduciendo a toda la manada con su cuerno en mano
Tu cara es solo polvo, polvo rojo, polvo
Polvo de mis tierras de atrás

Ruido profuso de tormenta
La lluvia cayendo en cascada sobre la tierra blanda del suelo
Convirtiéndose en polvo de barro, polvo rojo, polvo
Polvo de mis tierras de atrás

Se me mete polvo en los ojos
no me enojo
Porque sé que cuando muera
Mi cuerpo caerá al suelo
Conviértete en polvo, polvo rojo, polvo
Polvo de mis tierras, polvo de mis tierras (polvo)
Polvo de mis tierras de atrás (polvo)

Escrita por: Serafim Colombo Gomes / Luíz Bonan