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Sabiá na Roseira

Sertanejo Classe IA

Lá na sombra da varanda
Tem um banco de madeira
Onde um velho violeiro
Passava a tarde inteira
Conversando com um sabiá
Que pousava na roseira
Enquanto o Sol se escondia
Atrás da serra altaneira

Todo dia era a mesma hora
Nem precisava chamar
O sabiá vinha cantando
Pra bem perto se achegar
E o velho dava um sorriso
Só de ouvir ele cantar
Parecia que os dois sabiam
O que o outro ia falar

Mas um dia o velho partiu
Sem dizer pra onde foi
Ficou a viola calada
E o terreiro tão depois
Só o vento respondia
Nos cantos do corredor
E a saudade fez morada
No lugar do cantador

Passaram-se muitas luas
Veio chuva e veio estio
A roseira floresceu
Na beirada do caminho
Mas certa tarde de inverno
Num silêncio de arrepio
O sabiá voltou sozinho
Pra cantar no mesmo ninho

Pousou manso na varanda
Onde o velho se sentava
Olhou tudo em volta dele
Como quem ainda esperava
E soltou um canto triste
Que o coração apertava
Parecia uma despedida
Que o tempo não terminava

E o sabiá voltou sozinho
Pra cumprir sua missão
Cantou alto na roseira
Fez chorar meu coração
Talvez levasse saudade
Nas asas da imensidão
Ou trouxesse um recado
Do céu pro velho patrão

Hoje quando a tarde cai
E o Sol se esconde no chão
Ainda escuto esse canto
Ecoando no sertão
É o sabiá visitando
A antiga recordação
Guardando a amizade eterna
Que nem a morte leva, não

Escrita por: Ricardo Rodegher