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Vacilão

Seu Jorge

Vacilão

Aquilo que era mulher
Pra não te acordar cedo, saia da cama na ponta do pé
Só te chamava tarde, sabia teu gosto
Na bandeja, café
Chocolate, biscoito, salada de frutas
Suco de mamão

No almoço era filé mignon
Com arroz à la grega, batata corada
Um vinho do bom
No jantar era a mesma fartura do almoço
E ainda tinha opção
É, mas deu mole, ela dispensou você

Chegou em casa outra vez doidão
Brigou com a preta sem razão
Quis comer arroz doce com quiabo
Botou sal na batida de limão

Deu lavagem ao macaco
Banana pro porco, osso pro gato
Sardinha ao cachorro, cachaça pro pato
Entrou no chuveiro de terno e sapato, não queria papo
Foi lá no porão, pegou três-oitão
Deu tiro na mão do próprio irmão
Que quis te segurar

Eu consegui te desarmar, foi pra rua de novo
Entrou no velório pulando a janela
Xingou o defunto, apagou a vela
Cantou a viúva, mulher de favela
Deu um beijo nela
O bicho pegou, a polícia chegou
Um coro levou, em cana entrou
E ela não te quer mais, bem feito

Aquilo que era mulher
Pra não te acordar cedo, saia da cama na ponta do pé
Só te chamava tarde, sabia teu gosto
Na bandeja, café
Chocolate, biscoito, salada de frutas
Suco de mamão

No almoço era filé mignon
Com arroz à la grega, batata corada
Um vinho do bom
No jantar era a mesma fartura do almoço
E ainda tinha opção
É, mas deu mole, ela dispensou você

Chegou em casa outra vez doidão
Brigou com a preta sem razão
Quis comer arroz doce com quiabo
Botou sal na batida de limão

Deu lavagem ao macaco
Banana pro porco, osso pro gato
Sardinha ao cachorro, cachaça pro pato
Entrou no chuveiro de terno e sapato, não queria papo
Foi lá no porão, pegou três-oitão
Deu tiro na mão do próprio irmão
Que quis te segurar

Eu consegui te desarmar, foi pra rua de novo
Entrou no velório pulando a janela
Xingou o defunto, apagou a vela
Cantou a viúva, mulher de favela
Deu um beijo nela
O bicho pegou, a polícia chegou
Um coro levou, em cana entrou
E ela não te quer mais

Foi pra rua de novo
Entrou no velório pulando a janela
Xingou o defunto, apagou a vela
Cantou a viúva, mulher de favela
Deu um beijo nela
O bicho pegou, a polícia chegou
Um coro levou, em cana entrou
E ela não te quer mais
Bem feito

Vacilão

Aquella que era mujer
Para no despertarte temprano, salía de la cama de puntillas
Solo te llamaba tarde, conocía tus gustos
En la bandeja, café
Chocolate, galletas, ensalada de frutas
Jugo de papaya

En el almuerzo era filete mignon
Con arroz a la griega, papas doradas
Un buen vino
En la cena era la misma abundancia del almuerzo
Y aún tenías opciones
Sí, pero la regaste, ella te dejó

Llegaste a casa de nuevo muy drogado
Peleaste con la negra sin razón
Quisiste comer arroz con leche con okra
Le echaste sal al trago de limón

Le diste lavado al mono
Plátano al cerdo, hueso al gato
Sardinas al perro, aguardiente al pato
Entraste a la ducha con traje y zapatos, no querías hablar
Fuiste al sótano, agarraste un treinta y ocho
Le disparaste en la mano a tu propio hermano
Que intentaba detenerte

Logré desarmarte, saliste de nuevo a la calle
Entraste al velorio saltando por la ventana
Insultaste al difunto, apagaste la vela
Cantaste a la viuda, mujer de la favela
Le diste un beso
Se armó la gorda, la policía llegó
Te dieron una paliza, te llevaron preso
Y ella ya no te quiere más, bien hecho

Aquella que era mujer
Para no despertarte temprano, salía de la cama de puntillas
Solo te llamaba tarde, conocía tus gustos
En la bandeja, café
Chocolate, galletas, ensalada de frutas
Jugo de papaya

En el almuerzo era filete mignon
Con arroz a la griega, papas doradas
Un buen vino
En la cena era la misma abundancia del almuerzo
Y aún tenías opciones
Sí, pero la regaste, ella te dejó

Llegaste a casa de nuevo muy drogado
Peleaste con la negra sin razón
Quisiste comer arroz con leche con okra
Le echaste sal al trago de limón

Le diste lavado al mono
Plátano al cerdo, hueso al gato
Sardinas al perro, aguardiente al pato
Entraste a la ducha con traje y zapatos, no querías hablar
Fuiste al sótano, agarraste un treinta y ocho
Le disparaste en la mano a tu propio hermano
Que intentaba detenerte

Logré desarmarte, saliste de nuevo a la calle
Entraste al velorio saltando por la ventana
Insultaste al difunto, apagaste la vela
Cantaste a la viuda, mujer de la favela
Le diste un beso
Se armó la gorda, la policía llegó
Te dieron una paliza, te llevaron preso
Y ella ya no te quiere más
Bien hecho
Saliste de nuevo a la calle
Entraste al velorio saltando por la ventana
Insultaste al difunto, apagaste la vela
Cantaste a la viuda, mujer de la favela
Le diste un beso
Se armó la gorda, la policía llegó
Te dieron una paliza, te llevaron preso
Y ella ya no te quiere más
Bien hecho

Escrita por: Zé Roberto