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Abandono

Silvestre Kuhlmann

Tu que sofres, será que tu me escutas
Provando o sal de prolongado pranto?
Ou tua dor já se prolonga tanto
Que a surdez agravou as tuas lutas?

Podias acolher, mas tu relutas
Centrado no teu próprio desencanto
A Luz que afasta todo medo e espanto
E as sombras exorciza em nossas grutas

Hoje é tempo de cruz? A cruz só passa
Se, mansamente, o sofredor a abraça
E abandona seus bens e seus espólios

E se apostas a vida na Esperança
A mão de Deus se estende, meiga e mansa
Para enxugar a lágrima em teus olhos

Escrita por: Antônio Carlos Santini e Silvestre Kuhlmann