A Tua cruz jamais cruzou os braços
Por que iria eu cruzar os meus?
O amor se espalha livre nos espaços
E sempre atrairá os cireneus
Contemplo-Te cravado, os membros lassos
Todo o Teu corpo oferecido a Deus
És a imagem cabal dos meus fracassos
No dia feito noite e treva e breus
Abrir os braços para a dor do dia
Sem maldizer as vagas da agonia
E com ternura se colar à cruz
E não faz mal se o corpo assim protesta
Pois ao amado que outra coisa resta
Senão morrer unido com Jesus?