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Mágoas de Um Trovador

Silvio Caldas

Vai alta a noite
Nada resta do dia que fugiu
A natureza, ao ouvir o meu queixume
Maliciosa, encheu-se de ciúme
Sabendo que dormias, também dormiu

Somente a Lua, que é amiga
De quem ama e canta trova
Brilha no céu, no auge do esplendor
Mais uma prova que a Lua nova
Nunca esquece um trovador

E sempre a velha Lua a incentivar
Aqueles que querem cantar
Para os ouvidos de alguém

Vejo as estrelas, cintilantes e serenas
Nos jardins vejo açucenas
E em tua janela, ninguém

Desperta, ó querida, e ouve a prece
Que, terno, te oferece o pobre peito meu
Abre a janela e vem ouvir o teu cantor
E manda ao menos, por favor
A graça de um sorriso teu

Escrita por: J. Cascata, Manezinho