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Violões Em Funeral (Segunda Versão)

Silvio Caldas

Vila Isabel veste luto
Pelas esquinas escuto
Violões em funeral

Choram bordões, choram primas
Soluçam todas as rimas
Numa saudade imortal

Entre as nuvens, escondida
Como de crepe vestida
A Lua, fica a chorar

E o pranto que a Lua chora
Goteja, goteja agora
Dos oitis do Boulevard

Adeus, cigarra vadia
Que mesmo em tua agonia
Cantavas para morrer

Tu viverás na saudade
Da tua grande cidade
Que não te há de esquecer

Adeus poeta do povo
Que ressuscitas de novo
Quando na morte descambas

Sinhô, de pele mais clara
No qual Sinhô encarnara
A alma sonora dos sambas

Toda a cidade soluça
Comovida se debruça
Junto ao caixão de Noel

Estácio, Matriz, Salgueiro
Todo o Rio de Janeiro
Consola Vila Isabel

Escrita por: Silvio Caldas, Sebastião Fonseca