Ela era luz onde chegava
Com um brilho que incomodava
Menina linda, coração aberto
Sempre tentando manter todo mundo por perto
As outras riam, ela ria também
Sem perceber que a piada é ela e mais ninguém
Toda comédia vinha disfarçada
Como se fosse brincadeira engraçada
É só zoeira, elas diziam sorrindo
Enquanto a autoestima da garota ia sumindo
Mas ela fingia não entender
Porque tinha medo de perder
O grupo que chamava de amizade
Mesmo sentindo aquela certa maldade
E ela preferia ignorar
O medo de ficar sozinha estava lhe segar
Tem gente que te abraça na frente
Mas torce contra silenciosamente
E você demora pra enxergar
Quem realmente quer te derrubar
Cobras, venenosas, perigosas
Se aproximam, dão o bote e vão embora
Enquanto a vítima chora
Só quem já provou do teu veneno
Sabe o quanto que a ferida tá doendo, mas segue vivendo
Numa tarde qualquer aconteceu
Aquilo que tudo esclareceu
As cobras chamaram, ela correu
Feliz e animada, assim pareceu
Queria estar junto outra vez
Sentir que era parte do grupo talvez
Mas tropeçou, caiu sozinha
E caiu forte, coitada da menina
O corpo ardia, o chão machucou
Mas foi outra dor que mais torturou
Ainda no chão antes de levantar
As cobras a rir começaram a apontar
Nenhuma mão estendida no ar
Nenhuma pergunta, nada de ajudar
Naquele instante ela entendeu
Quem realmente nunca a mereceu
Porque amigo não ri da tua queda
Amigo te dá forças quando a vida pesa
Quem sente prazer na tua dor
Nunca conheceu o valor do amor
Cobras, venenosas, perigosas
Se aproximam, dão o bote e vão embora
Enquanto a vítima chora
Só quem já provou do teu veneno
Sabe o quanto que a ferida tá doendo, mas segue vivendo
Às vezes perder certas pessoas
É ganhar paz
Porque a solidão machuca menos
Do que uma falsa amizade
Cobras, venenosas, perigosas
Se aproximam, dão o bote e vão embora
Enquanto a vítima chora
Só quem já provou do teu veneno
Sabe o quanto que a ferida tá doendo, mas segue vivendo
Ela se levantou
E deixou para trás
As risadas
Que nunca foram amizade