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Mano de obra esclava

Sr. Blan Chu

Mão De Obra Escrava

Se você sai dessa senzala, vai fazer o quê?
Se você sai dessa senzala, vai comer o quê?
Se você sai dessa senzala, vai comer quem?
Se você sai dessa senzala, patrãozinho chora
e os rios te viram a cara. Patrãozinho te manda
achar e mata! Se você sai dessa senzala,
não é ninguém, cancela código, licença,
carteira de motorista. Se você sai dessa senzala,
vão matar você, e o diabo espreita, e o prelado
garante outro biscoito ao tinhoso,
enquanto o exército te exercita, e ensina
como carne viva é frita.
Se você sai dessa senzala, vai fazer o quê?
O mato pega fogo, o mundo perde o olho,
Tóquio fica brava: Mão de obra
boa é mão de obra escrava!
Só morto você sai dessa senzala (só morto).
Sua pele está marcada, sua sorte,
a ferro e fogo. Você é a mercadoria mais cara
e a mais barata do meu mercado. Livre,
o lucro baixa. Livre, pra você, eu sou nada.
Vou ter um tremendo problema de caixa.
E, pelo amor de deus, abaixa esse fuzil
e volta pra senzala. Minha cidade
é muito boa, muito cara, meu iate,
meu manto, minha coroa escarlate.
Se você sai dessa senzala, eu me acabo
num bolero ingrato e, do meu império,
sobram os chinelos pra eu matar essas baratas.

Mano de obra esclava

Si sales de esta senzala, ¿qué harás?
Si sales de esta senzala, ¿qué comerás?
Si sales de esta senzala, ¿a quién comerás?
Si sales de esta senzala, el patrón llora
y los ríos te dan la espalda. El patrón te ordena
encontrar y matar. Si sales de esta senzala,
no eres nadie, se cancela el código, la licencia,
la licencia de conducir. Si sales de esta senzala,
te van a matar, y el diablo acecha, y el prelado
garantiza otra galleta al diablo,
mientras el ejército te entrena, y enseña
cómo se fríe la carne viva.
Si sales de esta senzala, ¿qué harás?
El monte se incendia, el mundo pierde la vista,
Tokio se enfurece: ¡La mano de obra
buena es mano de obra esclava!
Solo muerto sales de esta senzala (solo muerto).
Tu piel está marcada, tu suerte,
a hierro y fuego. Eres la mercancía más cara
y la más barata de mi mercado. Libre,
la ganancia disminuye. Libre, para ti, no soy nada.
Tendré un tremendo problema de caja.
Y, por amor a Dios, baja ese fusil
y regresa a la senzala. Mi ciudad
es muy buena, muy cara, mi yate,
mi manto, mi corona escarlata.
Si sales de esta senzala, me desmorono
en un bolero ingrato y, de mi imperio,
quedan las chanclas para matar a esas cucarachas.

Escrita por: Du Oliveira, Itamar Pires