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Canudo Latitude 50

Tato Moura

Canudo Latitude 50

Novamente vieram me dizer
Que o Sol nascerá
Que o trigo crescerá pra cima
Que a tapioca que vem é a minha
Que a esmola de concreto
Não comerá sozinha
Nem a de cana
Nem a de papel
E o canudo latitude 50
Já atravessou uma camada de sal

E suga, e suga, e suga
Vá chamar o Hugo
Essa bebida não é sua!

Novamente vieram me dizer
Do crescimento do produto interno
A sua nova filosofia
De seu cinto apertado e suas medidas
Pra quem não vive de salário
É fácil falar em democracia
Há espera dois anos
Na fila do hospital
Roendo sempre a mesma broa de milho
E lá bebendo todo o etanol

E suga, e suga, e suga
Vá chamar o Hugo
Essa bebida não é sua!

Canudo Latitude 50

Otra vez vinieron a decirme
Que el Sol saldrá
Que el trigo crecerá hacia arriba
Que la tapioca que viene es mía
Que la limosna de concreto
No se comerá sola
Ni la de caña
Ni la de papel
Y el sorbete latitud 50
Ya atravesó una capa de sal

Y chupa, y chupa, y chupa
¡Ve a llamar a Hugo!
¡Esta bebida no es tuya!

Otra vez vinieron a decirme
Del crecimiento del producto interno
Su nueva filosofía
De su cinturón apretado y sus medidas
Para quien no vive de salario
Es fácil hablar de democracia
Esperando dos años
En la fila del hospital
Mordiendo siempre el mismo pan de maíz
Y allí bebiendo todo el etanol

Y chupa, y chupa, y chupa
¡Ve a llamar a Hugo!
¡Esta bebida no es tuya!

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