Burro Picaço
Comprei um burro Picaço
De três anos mais ou menos
Na hora de dar o recibo
O tropeiro foi dizendo
Cuidado com este macho
Que ele tem fama de ser perigoso
Por ter matado um peão
O nome do burro ficou Criminoso
Joguei o lombilho no burro
O macho se estremeceu
Apertei a barrigueira
O meu burrão se encolheu
Pulei em cima do burro
O povo de perto de medo correu
Mas qual o que minha gente
Pagão que me aguente
Ainda não nasceu
Cortei a crina do burro
No sistema meia lua
Pra cortar uma légua e meia
Meu Criminoso nem sua
Pra passar uma tranqueira
Passar uma porteira
Por cima ele voa
Faz eco pra todo lado
No passo picado
Das pedras da rua
Eu já vi burro ligeiro
Mas igual esse ainda não
Enjeitei cinco pacotes
Do filho do meu patrão
Gosto muito de dinheiro
Cinco mil cruzeiros
Não leva o machão
E pra falar com fraqueza
Não existe riqueza que leve o burrão
(Esse burro custa mais que o freguês pensa tchê)
Burro Picaço
Compré un burro Picaço
De tres años más o menos
Al momento de dar el recibo
El arriero decía
Cuidado con este macho
Que tiene fama de ser peligroso
Por haber matado a un peón
El burro quedó con el nombre de Criminoso
Puse la montura en el burro
El macho se estremeció
Apreté el cinchón
Mi burrón se encogió
Me subí al burro
La gente asustada corrió
Pero qué va, mi gente
Nadie me aguanta
Todavía no ha nacido
Corté la crin del burro
En forma de media luna
Para recorrer una legua y media
Mi Criminoso ni suda
Para pasar un obstáculo
Para cruzar una puerta
Salta por encima
Resuena por todos lados
Con el paso picado
De las piedras de la calle
He visto burros rápidos
Pero igual que este aún no
Rechacé cinco paquetes
Del hijo de mi patrón
Me gusta mucho el dinero
Cinco mil cruzeiros
No llevan al macho
Y para hablar con franqueza
No hay riqueza que se lleve al burrón
(Este burro cuesta más de lo que el cliente piensa, che)
Escrita por: Anacleto Rosas Junior