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Adiós

Bornes

Hoje estou por desmentir adágios
Render minhas escoltas
Jantar meus tormentos
Hoje eu vou perseguir naufrágios
Velar minhas revoltas
De cotovelo ao vento

Aponto ao sul
A fronte do meu coração
Vou costear o mar
Ao farol de São Simão
Vou matar a musa
Nessa areia incauta
Que ainda me acusa
Mas já não faz falta

Adiós concreto
Adiós contratos
Vou colher da redenção
Acometida a Monte Athos
Adiós alvará
Adiós alvenaria
Que Deus me governe ileso
Por toda essa rodovia

Hoje estou por dispersar presságios
Ajuizar escolhas
Fitar o firmamento
Hoje eu vou recusar atalhos
Romper com o fio das horas
Calar ressentimentos

Acomodo velho vício
Vou a um pouso prestativo
Sigo chão de manhã
Quieto feito fugitivo

A queimar retratos
Desfigurar memórias
Exilar o passado
Em escombros da história

Adiós concreto
Adiós contratos
Vou colher da redenção
Acometida a Monte Athos
Adiós alvará
Adiós alvenaria
Que Deus me governe ileso
Por toda essa rodovia

Hoje estou por perseguir naufrágios
Velar minhas derrotas
De cotovelo ao vento

Escrita por: Marnon Viana