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Estigma

Thiago Amud

Estigma

As montanhas, as flores, manchaste
Com teus olhos escuros e maus
E roubaste da luz os contrastes
A dança das cores e constelações

Só por causa dos teus espantalhos
As cidades sujaram as mãos
E de noite pousaram nos galhos
Mil fábulas tristes sobre os animais

Quando enfim minha reza e meu gesto
Terão força pra te esconjurar
E quebrar tua imagem de pedra
Pra ter primavera ao invés de teu olhar?

A vergonha, no espelho escondeste
Para os olhos herdarem os teus
Engendraste esse estigma, essa peste
Trancaste-me as águas, vedaste-me os céus

Quando enfim minha reza e meu gesto
Terão força pra te esconjurar
E quebrar tua imagem de pedra
Pra ter primavera ao invés de teu olhar?

Estigma

Las montañas, las flores, manchaste
Con tus ojos oscuros y malvados
Y robaste de la luz los contrastes
La danza de los colores y constelaciones

Solo por culpa de tus espantapájaros
Las ciudades se ensuciaron las manos
Y de noche se posaron en las ramas
Mil fábulas tristes sobre los animales

Cuando finalmente mi rezo y mi gesto
Tendrán fuerza para exorcizarte
Y romper tu imagen de piedra
¿Para tener primavera en lugar de tu mirada?

La vergüenza, en el espejo escondiste
Para que los ojos heredaran los tuyos
Engendraste este estigma, esta plaga
Me cerraste las aguas, me tapaste los cielos

Cuando finalmente mi rezo y mi gesto
Tendrán fuerza para exorcizarte
Y romper tu imagen de piedra
¿Para tener primavera en lugar de tu mirada?

Escrita por: Thiago Amud