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No Eres Linda

Thiago Thiago de Mello

Você Não é Linda

Você não é linda
Você é a própria beleza de tudo que existe
Não pode haver isso
Isto que agora é seu colo, é seu rasgo, é seu riso
Você não é isto
Um corpo que agora se move, se joga, se tolhe
Na certa há de ser outra coisa: Uma ideia, uma cifra
O anúncio de uma primavera
Primeira corola entreaberta
A fim do orvalho que lhe molhe

Você não existe
Porque se existisse faria uma guerra de Tróia
E o pacificado sertão quedaria coalhado do sangue dos machos
Você aí se evolaria rajando o infinito
E os olhos do mundo arderiam de constelações impossíveis

Não pode haver isso
Isto que agora é seu beijo, é seu medo, é seu visgo
Jamais a beleza cairia na terra
Virando meu tino
Com tal violência

Você, criatura, é um tapa
Uma lapa de desinocência
Que um nume bendito maldito bendito
Verteu sobre mim feito essência

Guardada no último cântaro
E me iniciou neste rito
De ver a beleza de frente
Com olhos de crente

Você quando existe
É Lua vermelha é gorjeio de ave alumbrada
É ouro de abelha é leite jorrando de pedra
É ciclo é ninhada
Maré montante do meu sonho
Nó cego, eixo do destino

(Não posso ver isto)
Menina, seu rosto encantado
Se existe, sou eu que inexisto
Caí na caldeira do Outro
Beijando o coração do Cristo

No Eres Linda

No eres linda
Eres la propia belleza de todo lo que existe
No puede haber esto
Esto que ahora es tu regazo, es tu rasgo, es tu risa
No eres esto
Un cuerpo que ahora se mueve, se lanza, se detiene
Seguramente debe ser otra cosa: Una idea, una cifra
El anuncio de una primavera
Primera corola entreabierta
A la espera del rocío que te moje

No existes
Porque si existieras harías una guerra de Troya
Y el pacificado sertón quedaría empapado de la sangre de los machos
Tú ahí te elevarías surcando el infinito
Y los ojos del mundo arderían con constelaciones imposibles

No puede haber esto
Esto que ahora es tu beso, es tu miedo, es tu trampa
Jamás la belleza caería a la tierra
Volviéndome loco
Con tal violencia

Tú, criatura, eres una bofetada
Una losa de desinocencia
Que un dios bendito maldito bendito
Derramó sobre mí como esencia

Guardada en la última tinaja
Y me inició en este rito
De ver la belleza de frente
Con ojos de creyente

Tú cuando existes
Eres luna roja, es canto de ave iluminada
Eres oro de abeja, es leche brotando de piedra
Es ciclo, es nidada
Marea creciente de mi sueño
Nudo ciego, eje del destino

(No puedo ver esto)
Chica, tu rostro encantado
Si existes, soy yo el que inexisto
Caí en la caldera del Otro
Besando el corazón de Cristo

Escrita por: Thiago Amud, Thiago Thiago de Mello