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Clausura

Tiago Picado

Clausura

Sem avisar
Tomou conta da minha vida sem pedir perdão
Chegou numa terça qualquer
E veio para ficar
E fez da minha rua o seu quintal
E eu sem saber o que fiz para merecer

Será que isso vai acabar
Não vejo a hora do fim
Mas continuo contando a horas

Vai ver
Que foi pra me lembrar
Que o amanhã não é hoje

O café até esfriou de tanto ver-me olhar
A vermelhidão que vem da janela
Não sei se acordei de mau-humor
Ou se é escassez de afeto

Será que isso vai acabar
Não vejo a hora do fim
Mas continuo contando a horas

Vai ver
Que foi pra me lembrar
Que o amanhã não é hoje

Clausura

Sin previo aviso
Tomó control de mi vida sin pedir perdón
Llegó en un martes cualquiera
Y vino para quedarse
Y convirtió mi calle en su patio
Y yo sin saber qué hice para merecerlo

¿Será que esto terminará?
No veo la hora del final
Pero sigo contando las horas

Verás
Que fue para recordarme
Que el mañana no es hoy

El café se enfrió de tanto mirarme
El enrojecimiento que viene de la ventana
No sé si desperté de mal humor
O si es falta de afecto

¿Será que esto terminará?
No veo la hora del final
Pero sigo contando las horas

Verás
Que fue para recordarme
Que el mañana no es hoy

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