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Bandera Blanca

Tião Carreiro e Pardinho

Bandeira Branca

Vou Contar o que eu nunca vi pro sertão e pra cidade
Nunca via guerra sem tiro e nem cadeia sem grade
Nunca vi um prisioneiro que não queira liberdade
Nunca vi mãe amorosa do filho não ter saudade


Nunca vi homem pequeno que ele não fosse papudo
Eu nunca vi um doutor fazer falar quem é mudo
Nunca vi um boiadeiro carregar dinheiro miudo
Nunca vi homem direito vestir calça de veludo

Eu nunca vi um carioca que não fosse bom sambista
Nunca vi um Pernanbucano que não fosse bom passista
Nunca vi um Paraibano que não fosse repentista
Nunca vi um deputado apanhar de Jornalista

Eu nunca vi um Paulista da vida se maldizendo
Nunca vi uma Paranaense que não esteja enriquecendo
Eu nunca vi um Baiano no facão sair perdendo
Eu nunca vi um Mineiro da luta sair correndo


Nunca vi um Catarinense depois de velho aprendendo
Nunca vi um Matogrossense de medo andar tremendo
Eu nunca vi um gaúcho pra laçar precisar treino
Eu nunca vi um Goiano por paixão beber veneno

Nunca vi um fazendeiro andar em cavalo que manca
Pra fechar boca de sogra não vi chave não vi tranca
Pra terminar meu pagode vou falar botando banca
Quero ver meus inimigos levantar bandeira branca.

Bandera Blanca

Voy a contar lo que nunca vi para el sertón y la ciudad
Nunca vi guerra sin disparos ni cárcel sin rejas
Nunca vi a un prisionero que no quiera libertad
Nunca vi a una madre amorosa que no extrañe a su hijo

Nunca vi a un hombre pequeño que no fuera engreído
Nunca vi a un doctor hacer hablar a un mudo
Nunca vi a un vaquero llevar dinero menudo
Nunca vi a un hombre recto vestir pantalones de terciopelo

Nunca vi a un carioca que no fuera buen sambista
Nunca vi a un pernambucano que no fuera buen pasista
Nunca vi a un paraibano que no fuera repentista
Nunca vi a un diputado ser golpeado por un periodista

Nunca vi a un paulista maldecirse a sí mismo
Nunca vi a una paranaense que no esté enriqueciéndose
Nunca vi a un bahiano salir perdiendo en una pelea de machetes
Nunca vi a un minero huir de la lucha

Nunca vi a un catarinense aprender algo nuevo de viejo
Nunca vi a un mato-grossense temblar de miedo
Nunca vi a un gaúcho necesitar entrenamiento para lazar
Nunca vi a un goiano beber veneno por pasión

Nunca vi a un granjero montar un caballo cojo
No vi cerradura ni cerrojo para callar a una suegra
Para terminar mi pagode, voy a hablar con autoridad
Quiero ver a mis enemigos levantar la bandera blanca

Escrita por: Lourival dos Santos / Tião Carreiro