395px

Minero de Fibra

Tião Carreiro e Paraíso

Mineirinho De Fibra

Um mineirinho de fibra neto de um velho escravo
Da pele bem bronzeada cor de canela com cravo
Criado no sertão bruto no meio de bicho bravo
Dentro da sua razão ele gastava um milhão pra defender um centavo.

Na sua cama de esteira sonhava com o tesouro
E se viu ganhar dinheiro mas sem levar desaforo
Com esperança e coragem chegou na terra do ouro
Onde a lei era o patrão e quem lhe disesse não ali deixava seu couro.

Mas o mineiro de fibra com boato não se zanga
Na luta em busca do ouro ele arregaçou as mangas
Encontrou uma fortuna sofrendo igual boi de canga
Foi receber seu quinhão mas encontrou seu patrão entre um bando de capanga.

Como estava acostumado seu patrão falou assim
Tudo que sai dessa terra pertence somente a mim
Ou você volta sem nada ou vai encontrar seu fim
Mineirinho respondeu vou levar o que é meu foi pra isso que eu vim.

Começou o jogo da morte a onde o ouro era taça
Mas só se via capanga tombando entra a fumaça
Patrão deu a sua parte deixou de fazer trapaça
Não viveu mais na pobreza mas pra ter sua riqueza,mineirinho mostrou raça.

Minero de Fibra

Un minero de fibra, nieto de un viejo esclavo
Con la piel bronceada, color canela con clavo
Criado en el áspero sertón, rodeado de animales salvajes
Dentro de su razón, gastaba un millón para defender un centavo.

En su cama de estera soñaba con el tesoro
Y se vio ganar dinero sin dejarse humillar
Con esperanza y coraje llegó a la tierra del oro
Donde la ley era el patrón y quien le dijera no, dejaba su piel.

Pero el minero de fibra no se enoja por rumores
En la lucha por el oro, se remangó las mangas
Encontró una fortuna sufriendo como buey de yugo
Fue a recibir su parte, pero encontró a su patrón rodeado de matones.

Como estaba acostumbrado, su patrón le dijo así
Todo lo que sale de esta tierra me pertenece solo a mí
O vuelves sin nada o encontrarás tu fin
El minero respondió: vine a llevar lo que es mío, para eso vine.

Comenzó el juego de la muerte, donde el oro era la copa
Pero solo se veía a los matones cayendo entre el humo
El patrón dio su parte, dejó de hacer trampas
Ya no vivió en la pobreza, pero para tener su riqueza, el minero mostró su valentía.

Escrita por: Lourival dos Santos / Jesus Belmiro / Tião Carreiro