395px

Corneta de Oro

Tião Carreiro e Paraíso

Berrante de Ouro

Vê ali está
O meu berrante no mourão do ipê
Vou cuidar melhor
Porque foi ele que me deu você

Nesta casinha junto ao estradão
Faz muito tempo que eu parei aqui
Vem minha velha vamos recordar
Quantas boiadas eu já conduzi

Fui berranteiro e ao me ver passar
Você surgia acenando a mão
Até que um dia eu aqui fiquei
Preso no laço do seu coração

Me lembro o dia que eu aqui parei
Daquela viagem não cheguei ao fim
Foi a boiada e com você fiquei
E os peões dizendo adeus pra mim

Vem, minha velha e veja o estradão
E o berrante que uniu nós dois
Nuvens de pó que para trás deixei
Recordações do tempo que se foi

Daqueles tempos que bem longe vai
O meu berrante repicando além
Ecos de choro vindo do sertão
Ao recordar fico a chorar também

Não é de ouro o meu berrante não
Mas para mim ele tem mais valor
Porque foi ele que me deu você
E foi você que me deu tanto amor

Corneta de Oro

Mira allí está
Mi corneta en el poste del árbol de ipé
Voy a cuidarlo mejor
Porque fue él quien me dio a ti

En esta casita junto al camino
Hace mucho tiempo que me detuve aquí
Ven, mi vieja, vamos a recordar
Cuántas manadas de ganado he guiado

Fui cornetista y al pasar por aquí
Tú aparecías saludando con la mano
Hasta que un día me quedé aquí
Atrapado en el lazo de tu corazón

Recuerdo el día que me detuve aquí
De ese viaje no llegué al final
Fue la manada y me quedé contigo
Y los peones diciéndome adiós

Ven, mi vieja, y mira el camino
Y la corneta que nos unió
Nubes de polvo que dejé atrás
Recuerdos del tiempo que se fue

De aquellos tiempos que se van lejos
Mi corneta resonando más allá
Ecos de llanto llegando desde el sertón
Al recordar, también lloro

Mi corneta no es de oro
Pero para mí tiene más valor
Porque fue él quien me dio a ti
Y fuiste tú quien me dio tanto amor

Escrita por: Carlos Cezar / Jose Fortuna