Vaqueiro Desprezado
Fui um vaqueiro afamado
Mas estou velho e cansado
E a minha luta de gado
Vou entregar ao patrão
Sem fugir do evangelho
Na tristeza me parece
Que um vaqueiro velho
Não tem mas disposição
Patrão eu lhe entrego a tenda
Mas o senhor compreenda
Que eu só lhe entrego a fazenda
Devido não poder mas
Seu gado esta no açude
Muito gordo e com saúde
Esforcei-me o quanto pude
Zelando seus animais
Não presto mas para o mato
Trabalhei muito barato
Meu patrão não seja ingrato
Queira lhe fazer um pedido
Não me mande pra cidade
Me deixe aqui por bondade
Na sua propriedade
Pelo senhor protegido
Disse o patrão nessa hora
Pos sendo assim vá embora
Pode procurar lá fora
Quem queira lhe sustentar
Por que sou um fazendeiro
Mas não vou gastar dinheiro
Pra sustentar um vaqueiro
Que não quer mas trabalhar
Diz que tá velho e cansado
Não que mas ser empregado
Por mim tá desenganado
Desde já fique sabendo
Acha que já trabalhou tanto
Pós vá procurar outro canto
Que aqui nada eu me garanto
Por que não tô lhe devendo
Caro patrão eu lhe digo
Pode esperar um castigo
O que o senhor fez comigo
Entrego a Nossa Senhora
Sou um vaqueiro educado
Será feito o seu mandado
Vou me despedir do gado
Que amanhã vou embora
Adeus vaca Manga Rosa
Estelinha e vaidosa
Adeus a vaca Amorosa
E a vaca Maracanã
Adeus a vaca Roseira
Espertinha e Neblineira
Adeus a vaca Palmeira
Que vou embora amanhã
Adeus a vaca Jureminha
Vela Branca e Andorinha
Adeus a vaca Rainha
Maça e Rosa de Prado
Mimosa e Americana
A Morena e a Cigana
Adeus a vaca Baiana
Que e a melhor do gado
Adeus vaca Fantasia
Lua branca e melancia
Pinta Silva e Simpatia
Mancha de Ouro e Boneca
A Careta e a Pintada
Ponta de lança e Espada
Troco verde e Alvorada
Passareira e Marreca
Dei um aboio na porteira
Quando avistei na carreira
Uma junta de primeira
Que tava lá na avenida
Dali sai aboiando
O gado ficou berrando
E a filha dele chorando
Na hora da despedida
Eu nunca enjeitei parada
Tive a munheca pesada
Dei queda em vaca de raça
Que ela saia manca
Pegava em cauda de touro
Puxava por desaforo
Ganhei medalha de ouro
No meu cavalo Asa Branca
Essa e a pura verdade
Quem gostou a mocidade
O que mata e a saudade
Mas quem conheceu meu nome
Agricultor fazendeiro
Deputado ou engenheiro
Protegem o pobre vaqueiro
Não deixem morrer de fome
Vaqueiro Despreciado
Fui un vaquero famoso
Pero estoy viejo y cansado
Y mi lucha de ganado
La entregaré al patrón
Sin apartarme del evangelio
En la tristeza me parece
Que un vaquero viejo
Ya no tiene más disposición
Patrón, te entrego la tienda
Pero entienda, señor
Que solo le entrego la hacienda
Porque ya no puedo más
Su ganado está en el estanque
Muy gordo y saludable
Me esforcé todo lo que pude
Cuidando sus animales
Ya no sirvo para el monte
Trabajé muy barato
Mi patrón, no sea ingrato
Quiero hacerle un pedido
No me mande a la ciudad
Déjeme aquí por bondad
En su propiedad
Protegido por usted
Dijo el patrón en ese momento
Pues si es así, vete ahora
Puedes buscar afuera
Quien quiera sostenerte
Porque soy un hacendado
Pero no voy a gastar dinero
Para mantener a un vaquero
Que ya no quiere trabajar más
Dice que está viejo y cansado
No quiere ser empleado más
Para mí está desahuciado
Desde ya, tenlo en cuenta
Cree que ha trabajado tanto
Pues ve a buscar otro lugar
Porque aquí nada te garantizo
Porque no te debo nada
Querido patrón, le digo
Puede esperar un castigo
Lo que usted hizo conmigo
Se lo entrego a Nuestra Señora
Soy un vaquero educado
Se hará su mandado
Me despediré del ganado
Que mañana me iré
Adiós vaca Manga Rosa
Estelinha y coqueta
Adiós vaca Amorosa
Y la vaca Maracaná
Adiós vaca Roseira
Astuta y neblinera
Adiós vaca Palmeira
Que mañana me iré
Adiós vaca Jureminha
Vela Blanca y Golondrina
Adiós vaca Reina
Manzana y Rosa de Prado
Mimosa y Americana
La Morena y la Gitana
Adiós vaca Baiana
Que es la mejor del ganado
Adiós vaca Fantasía
Luna blanca y sandía
Pinta Silva y Simpatía
Mancha de Oro y Muñeca
La Careta y la Pintada
Punta de lanza y Espada
Troco verde y Alborada
Passareira y Pato
Di un grito en la puerta
Cuando vi en la carrera
Un grupo de primera
Que estaba en la avenida
De ahí salí gritando
El ganado quedó mugiendo
Y su hija llorando
En el momento de la despedida
Nunca rechacé un desafío
Tuve la muñeca pesada
Derribé a la vaca de raza
Que salía cojeando
Agarraba la cola del toro
Tiraba por despecho
Gané medalla de oro
En mi caballo Asa Blanca
Esta es la pura verdad
A quien le gustó la juventud
Lo que mata es la nostalgia
Pero quien conoció mi nombre
Agricultor, hacendado
Diputado o ingeniero
Protejan al pobre vaquero
No lo dejen morir de hambre