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Redenção à Makota Valdina

Tonho Matéria

Não sou descendente de escravos, eu descendo de seres humanos
Que foram escravizados

Povos e comunidades tradicionais de matriz africana
Rica expressão cultural da força que emana
Da mulher negra, símbolo da luta e da resistência
Dos valores civilizatórios da nossa essência

Sigo os padrões, os rituais e a ciência do legado africano
Eu sou mulher, sou luz do Sol e a ternura das águas do oceano

Sou o vento, sou asè sou makota valdina
Sou banto, jeje, ashanti e yorubá
Vamos juntar o povo pra recomeçar de novo
Porque toda conquista vem da força popular

Precisamos desgelar as cordilheiras do ódio
E apagar as centelhas do fanatismo
Se não fugir da dor e alimentar o amor
O destino do mundo será o abismo

Então, não vem não!
Nosso marco legal tem ancestralidade
Não, não vem não!
Garantia à saúde e a dignidade humana
Então, não vem não! Bis
Da segurança alimentar ao conhecimento e inovações
Não vem não!
E a inclusão social garantir para as futuras gerações

Sigo os padrões, os rituais e a ciência do legado africano
Eu sou mulher, sou luz do Sol e a ternura das águas do oceano

Trago a fé na oralidade invadindo as cidades
Pra reconstruirmos territórios com afeto
Com reparação histórica que ainda na memória
É preciso ser sujeito dessa história e não objeto

Redenção à makota valdina

Eu não quero que me tolerem, eu quero que me respeitem o direito de ter minha crença
Panteão das matriarcas, pacto ancestral dos povos originários e dos povos tradicionais
De matriz africana

Escrita por: Tonho Matéria