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Modinha Nº 1

Toquinho

Modinha Nº 1

Mulher, ouve o meu desespero,
É só teu meu inteiro amor.
Oh, vem, tem um gesto e perdoa
A demência do teu cantor.

Ai, como pode um pobre poeta escravo
Padecer o travo de um doesto injusto,
Só um dissabor.
Ai, como pode tanto amor vivido
Merecer o olvido, suportar o agravo
Do teu desamor.

Mulher, abre a tua janela,
Aqui vela o teu trovador
Que em pranto soluça
Os seus últimos cantos
Ao nosso amor.

Vem e debruça tua imagem linda
Sobre o triste poeta que soluça ainda
De não ver-te mais.
E abre o teu quarto aos passos meus, amantes,
Para como dantes, nossos delirantes
Beijos abismais.

Modinha Nº 1

Mujer, escucha mi desespero,
Todo mi amor es solo tuyo.
Oh, ven, haz un gesto y perdona
La locura de tu cantor.

Ay, cómo puede un pobre poeta esclavo
Sufrir el amargor de una injusticia,
Solo un desencanto.
Ay, cómo puede tanto amor vivido
Merecer el olvido, soportar el agravio
De tu desamor.

Mujer, abre tu ventana,
Aquí vela tu trovador
Que en llanto solloza
Sus últimos cantos
A nuestro amor.

Ven y inclina tu hermosa imagen
Sobre el triste poeta que aún solloza
Por no verte más.
Y abre tu habitación a mis pasos, amantes,
Para como antes, nuestros delirantes
Besos abismales.

Escrita por: Toquinho / Vinícius de Moraes