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Gatillo

Trapyche

Gatilho

eu não quero rimar nada nem dar os versos que eu trago pelo avesso
eu não quero ser estrada, retas, ladeiras e nem pedra de tropeço
e não quero rimas nobres, reis, livros, derrotas, vitórias e heróis
não vou devorar-me com frases surreais
e tão pouco chorar em teus lágrimes lençóis...

eu não quero ter mais nome, nem pagar as contas da minha herança
eu não quero ser avenida, curvas, derrapes, esquinas e faróis
também não quero rimas facies, profetas de moedas, poetas de papéis
não vou embriagar-me com que trago pelo avesso
e tão pouco sonhar em teus sórridos lençóis...

porque nada me cala tanto do que um crivo de palavras
sem gesto e sem agulha
por isso disparo mais que rimas belas, versos que aludam cenas,
que alma puxa e a carne empurra
e nada mais me abala nem as balas perdidas desse gatilho.

Gatillo

No quiero rimar nada ni dar los versos que traigo al revés
No quiero ser camino, rectas, cuestas ni piedra de tropiezo
No quiero rimas nobles, reyes, libros, derrotas, victorias y héroes
No me devoraré con frases surrealistas
Y mucho menos llorar en tus lágrimas sábanas...

No quiero tener más nombre, ni pagar las cuentas de mi herencia
No quiero ser avenida, curvas, derrapes, esquinas y faroles
Tampoco quiero rimas fáciles, profetas de monedas, poetas de papeles
No me embriagaré con lo que traigo al revés
Y mucho menos soñar en tus sórdidas sábanas...

Porque nada me calla tanto como un tamiz de palabras
Sin gesto y sin aguja
Por eso disparo más que rimas bellas, versos que aluden escenas,
Que alma tira y carne empuja
Y nada me afecta, ni las balas perdidas de ese gatillo.

Escrita por: Vê Domingos