Entre as paredes brancas e mofadas
Tais quais um manicômio, velho
A esperança que já não te resta nada
Te prende neste sentimento de assombro eterno
Neste quarto horrível, onde o ar pesa e castiga
Ainda ecoa um resto tênue de vontade
Um sopro que mesmo fraco ainda brilha
Recusando-se a ceder à tempestade
Neste quarto horrível, eu vejo o mundo da janela
Uma paisagem morta, fria e singela
O tempo escorre lentamente pelas minhas mãos
Os dias se repetem, uma eterna prisão
Neste quarto horrível, o ar pesa e sufoca
As paredes guardam tudo o que se evoca
E o silêncio me observa, em meio a solidão
E me arrasta lentamente à própria negação
Neste quarto horrível, eu fui abandonado
Deixado para morrer