A luz do celular foi o primeiro punhal
Rasgando o escuro, me avisando o final
No topo da tela, a foto que eu não quis ver
Uma ilusão de ótica que me fez sofrer
Aquele sorriso de domingo, que era só meu
Em outros lábios, num segundo, se perdeu
Ela na ponta dos pés, buscando outro beijo
E eu aqui morrendo, num mar de desprezo
Senti um estalo, o peito gelou
É o silêncio do fone que alguém arrancou
A música parou no meio da canção
E o gelo do norte invadiu o coração
Como é que o pra sempre vira próximo assim?
Em cento e sessenta e oito horas, chegou o meu fim
Na sexta passada, o vinho e o lençol
Hoje eu sou sombra, e ele é o seu sol
Me ensina o truque, faz um arrasta pra cima
Deleta a memória que ainda me domina
Eu fui trocado na velocidade de um clique
Enquanto eu choro, você faz o seu videoclipe
O quarto ainda guarda o perfume dela
A cama tá quente, mas a vida é uma tela
Sete dias atrás, era amor da minha vida
Hoje é balela, é mentira repetida
Você desarrumou a cama com outro qualquer
Antes da nossa esfriar, você já não me quer
Eu tô preso no ontem, tentando entender
Como o seu nós virou eu sem você perceber
Eu tô juntando os cacos de uma história de papel
Você mudou o cenário, eu perdi o meu céu
A ficha não caiu, mas a dor é real
Fui descartado num scroll vertical
Como é que o pra sempre vira próximo assim?
Em cento e sessenta e oito horas, chegou o meu fim
Na sexta passada, o vinho e o lençol
Hoje eu sou sombra, e ele é o seu sol
Me ensina o truque, faz um arrasta pra cima
Deleta a memória que ainda me domina
Eu fui trocado na velocidade de um clique
Enquanto eu choro, você faz o seu videoclipe
Pelo visto, eu escrevi esse livro sozinho
Você só queria mudar de caminho