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Heridos

Vander Lee

Injuriado

Eu sou um nêgo injuriado
do cabelo enrolado
do nariz arrebitado
assanhado
humilhado
No entanto, tem tanto que nem eu

Sou um cara afro brasileiro
da cuica e do pandeiro
do batuque no terreiro
sou filho de violeiro
sou o santo
que o Brasil não conheceu

E como um sujeito engajado
de tanto ser maltratado pela vida aprendi

Nada adianta por a culpa no governo
na cultura do estrangeiro que enriquece por aqui

Você tem mesmo é que trabalhar dobrado,
ter os filhos do seu lado, não ter medo de cair.
A tua crença, tua graça e tua dor se você não dá valor quem é que vai te seguir?

Vem cá neguinha vem mostrar seu requebrado
vem sambar nesse gingado que eu não posso resistir
Vem cá pivete joga fora o canivete, pega a bola, deita e rola faz um gol pra eu sorrir
Conheço nego que só fica ali parado dizendo: eu sou culpado, por isso que tá ruim.
Não tem escola, criança pedindo esmola,
fumando crack, querendo cola numa versão tupiniquim.

Heridos

Soy un bebé insultado
de pelo rizado
de la nariz hacia arriba
Eres un poco astuto
humillado
Sin embargo, hay tanto que yo tampoco

Soy un chico afro brasileño
de la cuica y la pandereta
de la batería en el terreiro
Soy el hijo de un guitarrista
Yo soy el santo
que Brasil no ha conocido

Y como un compañero comprometido
de ser maltratado por la vida que aprendí

No tiene sentido culpar al gobierno
en la cultura del extranjero que enriquece por aquí

Realmente tienes que trabajar doble
tener hijos de su lado, no tenga miedo de caer
¿Tu creencia, tu gracia y tu dolor si no aprecias quién te seguirá?

Ven aquí, negro, muestra tu roto
viene sambar en este balanceo que no puedo resistir
Ven aquí, chico, tira el cuchillo, toma la pelota, acuéstate y rueda, haz un gol para que sonría
Sé que estás ahí parado diciendo: «Soy culpable, por eso es malo
No hay escuela, ni niños mendigando
fumar crack, queriendo pegamento en una versión Tupiniquin

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