395px

Melancolía

Vinícius Barros

Banzo

Pelas estradas de lá
Ou nos porões de além mar
A saudade teima em deixar
O candeeiro aceso

Pálpebra ferida anda
Debulhando as folha da cana
Se pudesse encontrava Ana
Ainda hoje cedo

E os filhos da escravidão
Têm cheiro de gás e carvão
E talvez se percam mais cedo
As moças do brejo da cruz
Da rua Da palma ou Da luz
Têm muito de soluço e medo

Não vou me condenar nem penar
Sob essa tua lei
Não posso construir o meu com o barro de vocês

Não vou me condenar nem penar
Sob essa tua lei
Não posso construir o meu lar
Com o barro de ninguém

Melancolía

Por los caminos de allá
O en los sótanos de ultramar
La melancolía insiste en quedarse
La lámpara encendida

Párpado herido va
Desgranando las hojas de la caña
Si pudiera encontrar a Ana
Aún hoy temprano

Y los hijos de la esclavitud
Huelen a gas y carbón
Y tal vez se pierdan más temprano
Las chicas del pantano de la cruz
De la calle Da palma o Da luz
Tienen mucho de sollozo y miedo

No me voy a condenar ni a sufrir
Bajo esa ley tuya
No puedo construir mi hogar
Con el barro de ustedes

No me voy a condenar ni a sufrir
Bajo esa ley tuya
No puedo construir mi hogar
Con el barro de nadie

Escrita por: Vinicius Barros