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Media Mitad

Vinicius Castro

Cara Metade

A minha cara lavada
Retorcida, estendida ao sol no varal
Ri da sua cara fechada
Que tá de mal com a vida em pleno carnaval

A minha cara quebrada
Varrida pra debaixo de um tapete qualquer
Ri da sua cara amassada
De quem não acordou, mas já está de pé.

A sua cara por cima
E a minha cara no chão:
Você, minha cara,
É metade da minha solidão

Você quer passear de caravela
Eu vou entrar pro caratê
Você vai me comprar um caramelo
E eu vou me apaixonar de cara
Por você com seu sapato de camurça
E eu digo o que não quero dizer
Mas e se te servir a carapuça
Me diz o que que eu posso fazer?

Você é bola na caçapa
Com essa sua cara de pau
Eu dou a minha cara à tapa
E você não reclame no final

Media Mitad

Mi cara lavada
Retorcida, extendida al sol en el tendedero
Ríe de tu cara cerrada
Que está de mal humor en pleno carnaval

Mi cara quebrada
Barriendo debajo de cualquier alfombra
Río de tu cara arrugada
De quien no se ha despertado, pero ya está de pie

Tu cara por encima
Y mi cara en el suelo:
Tú, mi cara,
Eres la mitad de mi soledad

Quieres pasear en carabela
Yo me apunto al karate
Tú me comprarás un caramelo
Y yo me enamoraré de inmediato
De ti con tus zapatos de gamuza
Y digo lo que no quiero decir
Pero si te sienta el saco
Dime qué puedo hacer

Eres una bola en la tronera
Con esa cara de palo
Pongo mi cara en la línea
Y tú no te quejes al final

Escrita por: Vinicius Castro