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Balaio

Vital Lima

Balaio

Ó mãe, me faz uma trouxa onde eu me caiba também
Envolve Belém numa colcha - inteira, tal qual a sei.
Ó mãe me arruma um balaio de vime forte e seguro
e me pendura ao pescoóo o terço de bons augúrios
pra feio eu nunca fazer...
Quero me portar direito,
fazendo juz ao teu nome
sem nunca o desmerecer.

Ó mãe me borda no peito as tuas iniciais
mas prende com linha forte pra que não rompa jamais
E não me funga esse lenço me pedindo pra ficar
Te peço, prende o cachorro
pra que eu não o veja chorar.
E um prato no tucupi me prepare com todo amor
deixa que amargue o jambu
pra que se grude na boca.

Adeus, te mando uma carta dizendo como é que foi
Se foi, se é que foi.

Balaio

Oh madre, hazme un paquete donde quepa también
Envuelve a Belén en una colcha - entera, tal como la sé.
Oh madre, prepárame una canasta de mimbre fuerte y segura
y cuelga al cuello el rosario de buenos augurios
para nunca hacer feo...
Quiero comportarme correctamente,
haciendo honor a tu nombre
sin nunca desmerecerlo.

Oh madre, borda en mi pecho tus iniciales
pero sujeta con hilo fuerte para que nunca se rompa
Y no me huelas ese pañuelo pidiéndome que me quede
Te pido, ata al perro
para que no lo vea llorar.
Y un plato de tucupí prepárame con todo amor
deja que amargue el jambu
para que se pegue en la boca.

Adiós, te enviaré una carta contándote cómo fue
Si fue, si es que fue.

Escrita por: Herminio Bello de Carvalho, Vital Lima