Tão cedo buscaste esconder
O tremor que lhe vinha as mãos chacoalhar
Tão cedo o medo lhe encontrou e lhe pôs a correr
As águas do aquário afogaram
Ao menos em parte, a esperança de viver feliz
E rachar de um mundo profundo o interno verniz
Reafogastes a mágoa
Quem me dera a páscoa
Chegar quando eu quis
Que haja um pouco de ar
Pra viver, pra falar
Pra contar e gritar
Mas eu sou a pedra no sapato
Que lança as torrentes nas terras de Adão
Quem rompe as correntes, sim, planta as sementes no chão
Que lança ao espaço
Que quebra o compasso
Desfazendo os laços que hão de existir
Que passa de cabeça erguida a passagem
Da vida, longe do temor de se reafogar
No salgado mar
E foi chegando ao fundo do mar que a palavra fez-se ouvir