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Páscoa

Vitor Vieira

Tão cedo buscaste esconder
O tremor que lhe vinha as mãos chacoalhar
Tão cedo o medo lhe encontrou e lhe pôs a correr

As águas do aquário afogaram
Ao menos em parte, a esperança de viver feliz
E rachar de um mundo profundo o interno verniz

Reafogastes a mágoa
Quem me dera a páscoa
Chegar quando eu quis

Que haja um pouco de ar
Pra viver, pra falar
Pra contar e gritar

Mas eu sou a pedra no sapato
Que lança as torrentes nas terras de Adão
Quem rompe as correntes, sim, planta as sementes no chão

Que lança ao espaço
Que quebra o compasso
Desfazendo os laços que hão de existir
Que passa de cabeça erguida a passagem
Da vida, longe do temor de se reafogar
No salgado mar
E foi chegando ao fundo do mar que a palavra fez-se ouvir

Escrita por: Vítor Vieira Machado