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Assombração

Volmir Coelho

Ouço gritos, ouço vozes, ouço passos na noite, assombração
Noite preta, geada fria de agosto, encosto rondando a casa, assombração
Povo acendendo o tormento, invadindo a mente, assombração
Vento de histórias ao pé da cama
Terror e drama iluminados à luz de vela
Chama bailando pelo vento que fresteava
E falquejava minha infância com cautela
E falquejava minha infância com cautela

Eram as leis, um aviso, um conselho
Drama no espelho, o tinhoso foi tatar
Não faz barulho, que a corpocha dorme cedo
Porque senão o lobisomem vai voltar
Porque senão o lobisomem vai voltar

Lá vem a bruxa arranhando as paredes
Fazendo o corpo todinho arrepiar
Lembrança boa onde as maldades eram farsa
Pois da cidade ele vem pra te matar
Pois da cidade ele vem pra te matar

Hoje a maldade bate à porta mão armada
Roubam na estrada e sequestram no portão
E o conselho que eu repasso ao meu filho
Não reage, entrega tudo ao ladrão
Não reage, entrega tudo ao ladrão

A mesma lei que prende é a que solta
Que faz escolta pro mocinho da cidade
Pois armamento só protege o bandido
Povo sofrido, acuado atrás das grades
Povo sofrido, acuado atrás das grades

Hoje o medo são as vozes de um assalto
Passo no asfalto, seguindo na escuridão
Casa invadida, sequestro com violência
Quero a inocência da minha antiga assombração
Quero a inocência da minha antiga assombração

Ouço passos, ouço gritos, ouço vozes na assombração
Ouço gritos na noite, socorro, perseguição
Dia claro, Sol ardendo de janeiro
Ladrão tá dentro do pátio, violação
Bate carteira, corre, corre na rua, pega ladrão

Devolvam meus velhos medos
Devolvam minha antiga assombração
Devolvam meus velhos medos
Devolvam minha antiga assombração

Pega ladrão

Escrita por: Volmir Coelho, Luiz Eduardo Silva Lima