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CERCA CORTADA

Volmir Coelho

Foi numa manhã de recolhida
Que o moirão deitado deu sinal
O rastro deixado foi a prova
Que do potreiro levaram dois animal

Uma bragada com poucos dias de pega
Boa pra pedra e com estado de galpão
E um peticinho do guri do peão caseiro
Ir pra escola, isto sim, foi judiação

E agora as carreiradas
Na vinda da escola
E a hora do banho no açude
E as manhãs de domingo
De trás e as mansas pras casas
E o sonho do menino
Se foi na cerca cortada

O brabo foi saber do paradeiro
Porque o dinheiro fala mais que o coração
Levar de a cabresto a esperança do menino
Também seu melhor amigo, que lhe ajudou na lição

Por certo, quem levou jamais viveu o campo
Tampouco frequentou a escola do galpão
Porque o menino, mesmo a pé, virou campeiro
E o sorrateiro em pingo, aquele nem pra peão

Escrita por: Volmir Coelho