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Charqueados

Volmir Coelho

Vindos de longe, pelo mar
Repontados ao tranco de bois
Rumaram direito à charqueada
Num tempo que ainda lhes dói

A faca na carne rubra
A tala na carne preta
Mantas de carne no sal
Lombos de carne no Sol

Homens de preto do sul
Tropeando mugidos de boi
Homens pretos no Sol
Em surdos gemidos de dor

No Sol, curtiram o charque
No sal, leniram as dores
No sal, não curam a carne
No sul, enricaram senhores

O sal conserva a carne
O sal faz pés ungulados
A memória conserva a dor
De terem sido charqueados

Escrita por: Volmir Coelho, Carlos Roberto Han