Eu ainda era criança
Quando o poeta morreu
Mas anjos, tortos ou não
Não morrem
O homem atrás do bigode
Sério, simples e forte
Já não sente o mundo
Mas sobrevive
Vive entre palavras
Rimas e soluções
Caminhando vivo
Versificando vivo
Seus óculos já não veem
A pedra no caminho
Os olhos pequenos do poeta
As retinas fatigadas do poeta
Já não veem o homem chorar
A pedra ainda abate os homens
A pedra no peito dos homens
No meio de todos os caminhos
Continua no mesmo lugar