Se o tempo que resta é resto de onda, eu surfo descalço no quase
Ainda dá tempo de errar bonito, de cair rindo, de rimar o tarde com a tarde
Eu coleciono minutos tortos, quinquilharias de luz no bolso do peito
Se o relógio engasga, eu assopro: Tic, tac, tropeço e aceito
Resta o que não coube, um gesto, um eco, um beijo atrasado
Resta a pausa que canta mais alto que o brado
Se o fim vier cedo, que venha dançando devagar
No intervalo entre dois nadas, há lugar pra respirar
Eu peço desculpas ao pó, prometo festa às cicatrizes
O futuro pede licença, o passado faz ruído nas raízes
Ainda dá tempo de ser quase eterno por um segundo em brasa
De dizer fica ao vento e ouvir: Quer que fica o que te atrasa?
E quando o fim -fechar a porta
Bato palmas pro acaso
O resto do tempo é partitura
Eu descanso no compasso
Escrita por: Wiara Cristina Soares / https: / music.youtube.com / watch?v=sVBOprwC9D4&si=sj3tm13_a6znYaLu