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Prosa Mineira

Wilson Dias

Prosa Mineira

Sou caboclo sou menino
Nas veredas da idade
Sou cigarra no verão
Planto vozes do sertão
No coração da cidade

Andarilho canto o chão
Sentinela dos redutos
Assustando tentações
Exorcizo viadutos
Vira sina fera boi

Em cantoria certeira
Contra a força dos currais
Da represa e da esteira
Sou sereno da manhã
Que serena acauã
Sou fulô da laranjeira

Sou cora sou coralina
Messina rezadeira
Madrinha dos cantadô
Sou fulô da laranjeira

Sou peroba sou madeira
Sou roseira sou espinho
Som de cantiga estradeira
Sou a mina do caminho
Sou resina curandeira
Que logo alivia a dor

Sou cora sou coralina
Messina rezadeira
Madrinha dos cantadô
Sou fulô da laranjeira

Prosa Mineira

Soy mestizo, soy niño
En los senderos de la edad
Soy cigarra en verano
Siembro voces del sertón
En el corazón de la ciudad

Andariego canto al suelo
Centinela de los reductos
Asustando tentaciones
Exorcizo viaductos
Me convierto en destino, fiera buey

En cantar certero
Contra la fuerza de los corrales
De la represa y de la estera
Soy sereno de la mañana
Que serena acauã
Soy flor del naranjo

Soy cora, soy coralina
Messina rezadora
Madrina de los cantores
Soy flor del naranjo

Soy peroba, soy madera
Soy rosal, soy espina
Sonido de canción de camino
Soy la mina del sendero
Soy resina curandera
Que pronto alivia el dolor

Soy cora, soy coralina
Messina rezadora
Madrina de los cantores
Soy flor del naranjo

Escrita por: Miltinho Ediberto / Wilson Dias