Diario de blackchach, maio de dois mil e
Mãe odeia armas, diz que são a raiz de tudo que apodreceu
Guerra, roubos, mortes, latrocínio
Como se fosse só mais uma palavra no dicionario
Diz que só criam o que há de pior
Respondi que
Na primeira chance eu vou ter uma
O olhar dela muda, terror, angustia, desgosto
Ela pergunta
Pra quê algo tão destrutivo assim?
Não é pergunta, é medo disfarçado
Dou risada e digo, é proteção
Sou tão podre quanto o lixo humano lá fora
Podre como a sarjeta depois da chuva
Podre como os dentes que riem na esquina
Ela chora
Fala de paz
Pra mim paz é mentira
Falo de exterminar o bairro inteiro se precisar
Ou eu mesmo