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El Lamento de la Nostalgia

Zé Paulo e Pimentel

Berrante da Saudade

Quanta saudade de um berrante repicando
Amadrinhando uma boiada no estradão
Ver a poeira formar nuvens no espaço
Sentir cansaço do troteio de um pagão
Sentir o gosto da comida boiadeira
A costumeira carne seca no feijão
Levar a vida sem paredes sem telhado
Tocando o gado nas estradas do sertão

Ê boi ê boi
Toque o berrante boiadeiro
Ê boi

Na despedida uma cabocla na janela
Coisa tão bela igual à flor no amanhecer
Lá bem distante conversar com a saudade
Sentir vontade de voltar para lhe ver
Tingir a roupa com poeira da estrada
Lá na pousada ouvir o gado remoer
Armar a rede nos esteios do galpão
Na escuridão se balançando, adormecer

Fui boiadeiro por gostar da profissão
O estradão foi o meu mundo colorido
Cada viagem um história pra contar
A cavalgar pelos rincões desconhecidos
Sem comitiva sem berrante sem boiada
Por outra estrada solitário agora eu sigo
Não sei aonde colocar tanta saudade
Felicidade já não vive mais comigo

El Lamento de la Nostalgia

Cuánta nostalgia de un berrante repicando
Apadrinando una manada en el camino
Ver el polvo formar nubes en el espacio
Sentir el cansancio del trote de un peón
Degustar la comida de vaquero
La habitual carne seca con frijoles
Vivir sin paredes ni techo
Guiando el ganado por los caminos del sertón

¡Eh toro, eh toro!
Suena el berrante vaquero
¡Eh toro!

En la despedida una mestiza en la ventana
Tan hermosa como una flor al amanecer
Allá lejos conversar con la nostalgia
Sentir el deseo de volver a verte
Tenir la ropa con el polvo del camino
En la posada escuchar al ganado rumiar
Tender la hamaca en los postes del galpón
Balanceándose en la oscuridad, dormir

Fui vaquero por amor a la profesión
El camino fue mi mundo colorido
Cada viaje una historia que contar
Cabalgando por rincones desconocidos
Sin comitiva, sin berrante, sin manada
Por otro camino solitario ahora sigo
No sé dónde poner tanta nostalgia
La felicidad ya no vive conmigo

Escrita por: J. Dos Santos / Peao Carreiro