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Paralelas

Zé Ramalho

Paralelas

Dentro do carro, sobre o trevo
A 100 por hora, o meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
No escritório, onde trabalho e fico rico
Quanto mais eu multiplico diminui o meu amor

Em cada luz de mercúrio
Vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar,
De voltar, de voltar...

No corcovado quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus na água das ruas
São duas estradas nuas
Onde foges do que é teu

No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu,
Sou eu, sou eu, sou eu

No corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
E as borboletas do que fui voam demais
Por entre as flores
Do asfalto em que tu vais...

Paralelas

Dentro del auto, sobre el trebol
A 100 por hora, mi amor
Solo tienes ahora las caricias del motor
En la oficina, donde trabajo y me hago rico
Mientras más multiplico, menos crece mi amor

En cada luz de mercurio
Veo la luz de tu mirada
Pasas plazas, viaductos
Ni siquiera recuerdas regresar,
Regresar, regresar...

En el Corcovado, quien abre los brazos soy yo
Copacabana, esta semana, el mar soy yo
Qué perversa es la juventud de mi corazón
Que solo entiende lo cruel, lo apasionado
Y las paralelas de los neumáticos en el agua de las calles
Son dos caminos desnudos
Donde huyes de lo que es tuyo

En el apartamento, octavo piso
Abro la ventana y grito cuando pasa el auto
Tu infinito soy yo,
Soy yo, soy yo, soy yo

En el Corcovado, quien abre los brazos soy yo
Copacabana, esta semana, el mar soy yo
Y las mariposas de lo que fui vuelan demasiado
Entre las flores
Del asfalto por donde vas...

Escrita por: Belchior