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Jacarepaguá Blues

Zé Ramalho

Jacarepaguá Blues

Tão indecente
Foi o jeito que essa mina descarada, arranhada, repulsiva
Me jogou de repente
Eu já sabia das suas intenções maléficas contra mim
Por isso me precavi com todo alho e cebola
Que eu consegui comprar
Mas o que eu não sabia era que você
Era exata e precisa nos seus movimentos
Por isso, confesso,
Estou num terrível astral!

Mais um capítulo
Da novela colorida, dolorida, masculina,
Que eu pedi pra ver
O personagem que encenava contramão
Do gancho à oficina telepática me sorria
Como um camafeu
Só me admira é que essa transa toda
Vai acabar
Caindo nas costas da pessoa que vos fala e relata
O que aconteceu!

Minha família
Mandou-me um cartão postal
Pois tal cartão conseguiu me fazer chorar
E o reco-reco que eu brincava, ei mãe
A senhora me bateu porque eu troquei por um isqueiro
Pra poder fumar…
Um tal negócio ou coisa parecida
Que faz bem ou mal à saúde
Não interessa, mãe
Eu quero ir à Sodoma pra poder fumar

Jacarepaguá Blues

So indecent
Was the way that this shameless, scratched, repulsive girl
Suddenly threw me
I already knew about her evil intentions against me
That's why I took precautions with all the garlic and onion
That I managed to buy
But what I didn't know was that you
Were exact and precise in your movements
So, I confess,
I'm in a terrible mood!

Another chapter
Of the colorful, painful, masculine soap opera
That I asked to see
The character who played against the grain
From the hook to the telepathic workshop smiled at me
Like a cameo
What surprises me is that all this affair
Will end up
Falling on the shoulders of the person speaking and reporting to you
What happened!

My family
Sent me a postcard
Because that postcard made me cry
And the reco-reco I used to play, hey mom
You hit me because I traded it for a lighter
So I could smoke...
Some business or something like that
That is good or bad for health
It doesn't matter, mom
I want to go to Sodoma to be able to smoke

Escrita por: Zé Ramalho