395px

Chula Do Póvoa

Zeca Afonso

Chula Do Póvoa

Em Janeiro bebo o vinho
Em Fevereiro como o pao
Nem que chovam picaretas
Hás-de cair, Rei-Milhao
Adeus, cidade do Porto
Adeus muros de Custóias
Cantando à chuva e ao vento
Andei a enganar as horas
Tenho mais de mil amigos
Aqui nao me sinto só
Cantarei ao desafio
Ninguém tenha de mim dó
O meu Portugal formoso
Berço de latifundiários
Onde um primeiro ministro

Já manda a merda os operários
Já hoje muito maroto
Se diz revolucionário
E faz da bolsa do povo
Cofre-forte do bancário
Camaradas lá do Norte
Venham ao Sul passear
Cá nas nossas cooperativas
Há sempre mais um lugar *
* Esta quadra é da autoria de Miraldina, da Cooperativa de Sta. Sofia

Chula Do Póvoa

En janvier je bois du vin
En février je mange du pain
Quoique tombent des pioches
Tu vas tomber, Roi-Million
Adieu, ville de Porto
Adieu murs de Custóias
Chantant sous la pluie et le vent
J'ai passé le temps à tromper les heures
J'ai plus de mille amis
Ici je ne me sens pas seul
Je chanterai au défi
Que personne n'ait pitié de moi
Mon Portugal si beau
Berceau de grands propriétaires
Où un premier ministre

Envoie chier les ouvriers
Aujourd'hui, ce petit malin
Se dit révolutionnaire
Et fait du porte-monnaie du peuple
Coffre-fort des banquiers
Camarades du Nord
Venez vous balader au Sud
Ici dans nos coopératives
Il y a toujours une place de plus *
* Ce quatrain est de Miraldina, de la Coopérative de Sta. Sofia