395px

Indígenas

Zero Hora

Índios

Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do inicio ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho.
Entenda - assim pude trazer você de volta prá mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Indígenas

Quisiera, al menos una vez,
Recuperar todo el oro que entregué
A aquel que logró convencerme
Que era una muestra de amistad
Si alguien se llevaba incluso lo que no tenía.

Quisiera, al menos una vez,
Olvidar que creí que era una broma
Que siempre se cortaba un paño de cocina
De lino noble y pura seda.

Quisiera, al menos una vez,
Explicar lo que nadie logra entender:
Que lo que sucedió aún está por venir
Y el futuro ya no es como era antes.

Quisiera, al menos una vez,
Demostrar que quien tiene más de lo que necesita
Casi siempre se convence de que no tiene suficiente
Y habla demasiado por no tener nada que decir.

Quisiera, al menos una vez,
Que lo más simple sea visto como lo más importante
Pero nos dieron espejos
Y vimos un mundo enfermo.

Quisiera, al menos una vez,
Entender cómo un solo Dios al mismo tiempo es tres
Y ese mismo Dios fue muerto por ustedes -
Es pura maldad entonces, dejar a un Dios tan triste.

Quise el peligro y hasta sangré solo.
Entiende - así pude traerte de vuelta a mí,
Cuando descubrí que siempre eres tú
Quien me entiende de principio a fin
Y eres tú quien tiene la cura para mi vicio
De insistir en esta añoranza que siento
Por todo lo que aún no he visto.

Quisiera, al menos una vez,
Creer por un instante en todo lo que existe
Y creer que el mundo es perfecto
Y que todas las personas son felices.

Quisiera, al menos una vez,
Hacer que el mundo sepa que tu nombre
Está en todo y aún así
Nadie te dice siquiera gracias.

Quisiera, al menos una vez,
Como la tribu más hermosa, de los más bellos indígenas,
No ser atacado por ser inocente.

Quise el peligro y hasta sangré solo.
Entiende - así pude traerte de vuelta a mí,
Cuando descubrí que siempre eres tú
Quien me entiende de principio a fin
Y eres tú quien tiene la cura para mi vicio
De insistir en esta añoranza que siento
Por todo lo que aún no he visto.

Nos dieron espejos y vimos un mundo enfermo
Intenté llorar y no pude.

Escrita por: Renato Russo