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Animal Ferido

Zimbra

Onde as paredes só falam com quem anoitece por lá
Onde acontece a cidade que mora
Onde a vida se demora a acabar

Chuva que lava essas ruas que nunca percebo ao andar
É o corpo entregue a própria sorte
É o norte que demora muito a chegar

Tanta certeza de nada
Tanta vida rasa
Que vive a vagar
Tanta gente morta por dentro
Disfarçando-se a acostumar

Tanta gente que tem tudo
Protegendo o mundo
Que o seu olho alcança
Tanta gente entrar na dança
Pra tentar algo pra se orgulhar

Animal ferido
Rosto sem abrigo
Onde cabe e não se vê
O futuro é um jogo imenso
E eu não tenho tempo pra perder

Escrita por: Rafael Costa