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Esperando a Troça

A Lenda do Palhaço do Coqueiro

Esperando a Troça

Eu me peguei andando tarde por aí
Ladeira abaixo eu tenho medo de cair
Vivo os dias esperando o carnaval
E trago comigo uma alegria terminal

Eu sou palhaço mas sou pago pra sorrir
Você julga a mim como um largado, e daí?
Eu vivo na mesma economia que você
E eu sofro as mesmas consequências de viver

Eu sou o mesmo que você, mas diferente
Eu sou aquela alegria do repente
E eu vou passar o dia inteiro esperando a troça chegar
Me traz uma cachaça boa pra eu tomar
Me faz sorrir sem ter motivos pra tocar
Eu vou passar o dia inteiro esperando a troça chegar

Frevo, maracatu, ciranda, iemanjá
De olinda a recife você pode ver o mar
Cultura, hipocrisia, alegria e inflação
Enfeitam as contas de um mero cidadão

Amparo, milagres, bonsucesso, olinda!
Ladeiras pulsando o movimento pra tocar
Os dias que todos pegam superlotação
Eu guardo a vida num batuque de salão

Bate pandeiro, rala o couro pra tocar
Desce a ladeira o papangu vai ocupar
A mesa do chefe que tortura o cidadão
Bate pandeiro, a sua dor

Eu me peguei andando tarde por aí
Ladeira abaixo eu tenho medo de cair
Vivo os dias esperando o carnaval
E eu trago comigo uma folha de jornal

Não sou palhaço mas eu tenho que sorrir
Pois emprego, que é bom, a gente chora por aí
Vivo na mesma economia que você
E sofro as mesmas consequências de viver

Eu sou o mesmo que você, mas diferente
Eu sou aquela alegria do repente
E eu vou passar o dia inteiro esperando a troça chegar
Me traz uma cachaça boa pra eu tomar
Me faz sorrir sem ter motivos pra tocar
Eu vou passar o dia inteiro esperando a troça chegar

E o maracatu!

Esperando a Troça

Me encontré caminando tarde por ahí
Bajando la cuesta, temo caer
Vivo los días esperando el carnaval
Y llevo conmigo una alegría terminal

Soy payaso, pero me pagan por sonreír
Tú me juzgas como un desaliñado, ¿y qué?
Vivo en la misma economía que tú
Y sufro las mismas consecuencias de vivir

Soy igual que tú, pero diferente
Soy esa alegría repentiza
Y pasaré todo el día esperando que llegue la troça
Tráeme un buen aguardiente para tomar
Hazme reír sin razones para tocar
Pasaré todo el día esperando que llegue la troça

Frevo, maracatu, ciranda, iemanjá
De Olinda a Recife puedes ver el mar
Cultura, hipocresía, alegría e inflación
Adornan las cuentas de un simple ciudadano

Amparo, milagros, Bonsucesso, Olinda
¡Calles llenas de movimiento para tocar!
Los días en los que todos sufren de sobrepoblación
Yo guardo la vida en un ritmo de salón

Toca el pandero, golpea la piel para tocar
Baja la cuesta, el papangu ocupará
La mesa del jefe que tortura al ciudadano
Toca el pandero, tu dolor

Me encontré caminando tarde por ahí
Bajando la cuesta, temo caer
Vivo los días esperando el carnaval
Y llevo conmigo una hoja de periódico

No soy payaso, pero debo sonreír
Porque el trabajo, que es bueno, nos hace llorar
Vivo en la misma economía que tú
Y sufro las mismas consecuencias de vivir

Soy igual que tú, pero diferente
Soy esa alegría repentiza
Y pasaré todo el día esperando que llegue la troça
Tráeme un buen aguardiente para tomar
Hazme reír sin razones para tocar
Pasaré todo el día esperando que llegue la troça

¡Y el maracatu!

Escrita por: Rodrigo Jangaman