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Habla Caipira

Adão da Viola e Nenê Carlos

Fala Caipira

Pra mim a fala caipira
Neste meu chão brasileiro
É a gíria do grotão
Lá nos confins do sertão

Nosso idioma verdadeiro
Eu nasci foi no Brasil
Sou um matuto capiau
Sou da terra do catira
Sou sertanejo caipira
Eu não sou de Portugal

Vai aqui o meu recado
Eu nunca falo errado
O que falo é caipirês
No meu jeitão de prosear
É fácil de analisar
Que eu não falo português

Lá nos tempos do zagaia
Depois que chegou Cabral
Surrupiaram nosso ouro
Levaram nosso tesouro
Pros cofres de Portugal

Por isso digo e confirmo
Com clareza e decência
Que é do índio brasileiro
Meu ancestral verdadeiro
Toda a minha descendência

Vai aqui o meu recado
Eu nunca falo errado
O que falo é caipirês
No meu jeitão de prosear
É fácil de analisar
Que eu não falo português

Até mesmo seu doutor
Não imita bacalhau
Porque a gíria da cidade
Na pura realidade
Não se fala em Portugal

Tá na hora da mudança
No campo e na cidade
Esqueça o português
Ensine o caipirês
Nos bancos da faculdade

Vai aqui o meu recado
Eu nunca falo errado
O que falo é caipirês
No meu jeitão de prosear
É fácil de analisar
Que eu não falo português

Habla Caipira

Para mí, la forma de hablar caipira
En esta tierra brasileña mía
Es la jerga del campo
Allá en los confines del sertón

Nuestro verdadero idioma
Yo nací en Brasil
Soy un campesino del interior
Soy de la tierra del catira
Soy sertanejo caipira
Yo no soy de Portugal

Aquí va mi mensaje
Nunca hablo mal
Lo que hablo es caipirês
En mi forma de conversar
Es fácil de analizar
Que no hablo portugués

En los tiempos de la zagaia
Después de la llegada de Cabral
Robaron nuestro oro
Se llevaron nuestro tesoro
A los cofres de Portugal

Por eso digo y afirmo
Con claridad y decencia
Que es del indio brasileño
Mi ancestro verdadero
Toda mi descendencia

Aquí va mi mensaje
Nunca hablo mal
Lo que hablo es caipirês
En mi forma de conversar
Es fácil de analizar
Que no hablo portugués

Incluso su doctor
No imita bacalao
Porque la jerga de la ciudad
En pura realidad
No se habla en Portugal

Es hora del cambio
En el campo y en la ciudad
Olvida el portugués
Enseña el caipirês
En los bancos de la universidad

Aquí va mi mensaje
Nunca hablo mal
Lo que hablo es caipirês
En mi forma de conversar
Es fácil de analizar
Que no hablo portugués

Escrita por: Francisco Ramos / João Miranda